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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

14
Set17

praça deserta

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À deserta praça
conduz um labirinto de ruelas.
A um lado, o velho paredão sombrío
de uma igreja em ruínas;
a outro lado, o muro esbranquiçado
de um horto de ciprestes e palmeiras,
e, frente a mim, a casa,
e na casa a grade
ante o cristal que levemente empana
sua figurinha plácida e risonha.
Vou ausentar-me. Não quero
chamar a tua janela… Primavera
vem — seu vestido branco
flutua no ar da praça morta — ;
vem acender as rosas
vermelhas de teus rosais… Quero vê-la…

 

António Machado

 

foto | Torre de Moncorvo | agosto'17

31
Mar17

rua do Canelho

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 A Alagoa é uma pequena aldeia do concelho de Vila Flor. São cada vez menos os seus habitantes residentes. Há muito que já não escola. Não há café ou qualquer tipo de comércio. O silêncio e a solidão reinam em todos os recantos. As casas típicas jazem em ruínas. Desertas e abandonadas as suas histórias são apenas memórias. Cresci com esta aldeia no coração. Foram muitos os verões e natais que lá passei. Tenho recordações maravilhosas dos momentos que lá vivi. Agora apenas faço uma breve passagem de quando em vez.

 

 

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A minha avó morava no coração da aldeia.  Uma pequena rua sem saída. Na rua do Canelho moraram durante décadas os Gonçalves. Nas pequenas casas moravam os pais, os filhos, guardava-se o burro, criava-se o porco...

 

Num canto acendia-se o lume, noutro dormia a família, geralmente numerosa, e noutro salgava-se o porco.

 

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Chegaram a morar na rua quarenta pessoas. Eram tempos difíceis, porém, fartos de grande solidariedade humana. A alegria e as brincadeiras das crianças enchiam a rua. Ao fundo da rua, ao lado da carroça, era a escola.

 

DSC03460.JPGO que hoje sobra em espaço falta em vida. Agora não passa de uma rua fantasma perdida na aldeia.

 

fotos | Alagoa | março'17

29
Mar17

a casa típica transmontana

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«As casas antigas são construídas de pedra, sendo os interiores sombrios. As paredes e os tectos das cozinhas são normalmente escuras como breu. As lareiras estão acesas grande parte do ano para cozinhar e aquecer e, de Novembro até Março, penduram-se por cima da lareira grandes quantidades de porco salgado e enchidos para serem fumados. As casas estão tão juntas que se perde a privacidade; com o simples abrir das portas da frente mostram-se imediatamente a qualquer passante as cozinhas e as salas.Os aposentos ficam no andar de cima e em baixo os estábulos, as arrumações de produtos agrícolas ou a adega.»  

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Subia-se ao primeiro andar pelas escaleiras exteriores de granito, ligadas à rua apoiando-se no corrimão. A casa do lavrador mais abastado era rodeada pelo espaço curral. Neste espaço, que rodeava a casa situava-se o cabanal, onde se guardava a lenha retirada do sequeiro, já partida e livre da chuva, e as alfaias agrícolas.

Era ainda o curral o lugar do recreio dos animais. Tinha uma grande fachada ou porta carral, de pelo menos três metros de altura para passarem livremente os carros de lenha ou de feno. É este amplo espaço que o lavrador chama os roussios.

 

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O espaço que ficava em falso sob as escaleiras, era aproveitado para o galinheiro. Ficava um buraco na parede para as galinhas entrarem, ao qual tinham acesso por uma tábua. Daqui surgiu a expressão popular de, todos os dias ao pôr-do-sol “ir fechar o buraco das pitas”.

Toda a parte superior da casa assentava sobre grossas traves.

Do cimo das escaleiras, passava-se à varanda de madeira, rodeada por um corrimão e situada geralmente a sul ou a nascente. É o espaço característico da casa que está a desaparecer nas novas construções. Ajudava a varanda a defesa dos ventos agrestes e regelados e do calor escaldante. Nela se secava a roupa estendida numa cana, se apanhava o sol, se expunham os cacos das malvas, craveiros e manjericos, e nas canículas se podia descansar a sesta e cerar ao fresco. Por isso, era larga para caber a mesa e os bancos, e a camarada de segadores, e coberta com a continuação do telhado.

No bordo, o seu pé direito não chegava, ás vezes, a dois metros de altura, para melhor resguardo.

Os beirais muito salientes, interiormente forrados com tábuas, são apoiados em pilares de madeira, espaçados. Há os balaústres de pedra trabalhada, ou simplesmente lisos, com tabuinhas cruzadas, num reticulado horizontal e vertical, sobreposto obliquamente, formando losangos, de grande efeito decorativo.

 

textos in  Ser Transmontano

 

fotos | Alagoa | Março'17

21
Mar17

uma visita ao nordeste transmontano

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No último fim de semana de inverno o sol reinou e as temperaturas quase de verão fizeram as delicias de uma família pelo nordeste trasmontano.

 

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 Como o Dia do Pai era ao Domingo resolvi surpreender o meu Pai levando-o às suas origens.

 

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 A primeira paragem foi na princesa do Tua...

 

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 ... e rainha da alheira...

 

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 ...Mirandela pois claro.

 

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 Almoçamos no Restaurante "A Adega", um excelente restaurante típico.

 

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Como o sol convidava a praia, e ainda não conhecia a famosa Albufeira do Azibo, pareceu-me o dia perfeito para fazer uma visita às suas praias.

 

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 O local é mesmo encantador e a temperatura até convidava a um mergulho, mas não tinha biquíni 

 

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 Uma breve pausa em Alfândega da Fé para refrescar e descansar um pouco. 

 

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 Chegamos à Quinta da Terrincha a meio da tarde. Já é um espaço familiar que não nos cansamos de repetir, onde tudo é fantástico e especial: o ambiente, as pessoas, a quinta, as casas, é mesmo impossível não gostar.

 

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 Surpreendeu e superou as nossas expectativas na primeira visita e ainda surpreende a cada nova visita.

 

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Jantamos no Restaurante "Canto da Terrinha , que agora não é explorado pela Quinta, mas a comida continua boa.

 

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 A manhã de Domingo foi dedicada ao descanso quase absoluto.

 

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 Perto da hora de almoço subimos para a aldeia, que fica a meia hora da quinta, para almoçarmos com a família.

 

DSC03483.JPGO resto do dia foi de visita à aldeia e à família.

 

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 Tentei arranjar um novo amigo...

 

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 ... mas não fui bem sucedida.

 

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 Ao final do dia regressei a casa de alma revigorada.

 

fotos | março'17

16
Nov16

a estrela de pedra

Almeida

 

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No Planalto das Mesas e pelas Portas de São Francisco entramos no cenário de lutas, batalhas, cercos e traições, que caracterizaram as disputas do território nacional.

 

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Concelho do nordeste do distrito da Guarda apresenta uma riqueza histórico-patrimonial notável.

 

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A Fortaleza de Almeida, enquadrada num estilo maneirista-barroco, é um dos maiores expoentes da arquitectura militar abaluartada em Portugal. Em cantaria e de planta hexagonal quase regular, é recortada por reentrâncias e saliências angulares que obedeciam aos princípios estabelecidos de enfiamento e cruzamento de tiro da táctica do século XVII e XVIII.

 

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Neste concelho a presença humana está atestada desde as épocas mais recuadas (vestígios Paleolíticos, castros da Idade do Bronze e Ferro e presença romana).

 

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Para uns, Almeida deriva da palavra árabe Al Meda ou Talmeyda, que significava mesa. Para outros, o topónimo deriva da palavra Atmeidan, que significava campo ou lugar de corrida de cavalos.

 

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Qualquer época do ano é propícia à visita da vila que oferece paisagens magníficas sobretudo na época das amendoeiras em flor.

 

Textos do livro "Carta do Lazer das Aldeias Históricas"

♥ FOTOS | Almeida | fevereiro'09 ♥

08
Set16

colher amoras [pelos caminhos da aldeia]

 

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Sábado passado foi dia de recuar no tempo e colher amoras pelos caminhos da aldeia. De silva em silva lá fomos apanhando as amoras maduras, doces e suculentas.

 

 

 

A amora silvestre quando madura é doce e preta. É um simbolo do verão. Lembra dias quentes colhendo amoras no caminho manchando as mãos com o seu sumo cor de vinho. Um fruto muito saboroso e ótimo para a saúde.

 

 

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Amoras amadurecem,

Protegidas pelo verde silvado,

Morenas que não se esquecem,

Irresistíveis que do desejo crescem,

Espinhos afiados a protegem do pecado,

Serão tão amadas sem nunca terem amado,

Por quem as ama sem nunca as ter provado!...

 

…Talvez os espinhos,

Sejam a provação dos caminhos,

Que na espinhosa silva demora,

O prazer de provar uma amora!...

                                  (poema - blog d'Alma)

♥ FOTOS | Alagoa | setembro'16 ♥

01
Ago16

ilusão d'ouro

 

 

 

A paisagem do Douro é lindíssima, não é apenas um cenário mas uma herança que reflete a nossa identidade.
Mas a região não é apenas o Douro Vinhateiro e infelizmente quando se começa a sair da região Património Mundial o cenário já não é o mesmo. Com o passar dos anos, silenciosamente, a deserção vai-se instalando. São muitos os que emigram na busca de uma vida melhor. Os que ficam envelhecem e as forças são cada vez menores para trabalhar nas íngremes encostas. Aos poucos o abandono apodera-se da paisagem. Onde antes reinavam olivais, amendoais, hortas verdejantes, gado a pastar, campos repletos de cereais começa a predominar o baldio. As aldeias ficam desertas e anseiam pelos meses de Verão para se encherem de emigrantes que regressam às suas origens. Nesta época as aldeias renascem, enchem-se de vida. Fazem-se festas, arraiais e bailaricos. Mas terminado o mês de agosto as aldeias ficam novamente isoladas no tempo e no espaço. 

 

 ♥ fotos | Alagoa ♥

29
Jul16

contemplar [paisagem vinhateira]

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A oferta turística no Douro é cada vez maior. Espaços rurais recuperados, perfeitos para uns dias de férias rodeados pela bonita e única paisagem vinhateira.

Esta nova vertente turística vem completar uma região já por si tão rica conjugando perfeitamente com as tradições genuínas e as histórias que moldaram esta terra fazendo dela Património Mundial.
Paisagem, vinhos, gastronomia, cultura e lazer, são muitas as razões para fazer as malas, viajar rumo ao Douro e explorar este magnífico território.

 

♥ foto | Quinta da Terrincha | junho'16 ♥

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