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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

03
Jun17

grito

 

praia d'el rey_abril17_21

 

Desespero de sentir a vida se esvaindo,
torneira aberta sobre um chão de pedra.
Que flor vai nascer?
O gesto não muda o sentido do vento;
a folha não fica parada no ar.
A gente se engana com a falsa esperança
que um dia se mude o curso do rio,
e nada se faz:
fica-se olhando o mar nos chamando,
sem nada que nos detenha,
sem coragem para o salto.

 

Edson Guedes de Morais

 

foto | Nazaré | maio'17

01
Jun17

carta de junho

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Chegamos na metade...

Junho. É o mês onde paramos em seu primeiro dia e falamos...

"Nossa já está na metade do ano... Como o ano passa voando..."

Na verdade o ano passa sempre no mesmo ritmo...

Cada minuto ainda possui 60 segundos...

Cada hora, 60 minutos...

Na verdade, o dia ainda possui 24 horas...

Cada semana, com os seus 7 dias típicos...

Cada mês com 28,30 ou 31 dias...Depende exclusivamente do calendário...

E nesta união, somando tudo, algo em torno de 365 dias e mais algumas horinhas de saideira,

Ao conjunto de segundos, minutos, horas, dias, semanas e meses;

"Chamamos de mais 1 ano vencido, mais uma primavera, verão, outono e inverno...Etc, etc...Blablabla..."

Então o que fazer??? O tem de errado??? Por quê o ano passa voando???

Trabalho, estudos, rotina, estresse...Etc, etc...

A junção de tudo isso, faz com o que não percebemos o passar dos dias, semanas, meses... "Vida..."

E com isso...

Passam os instantes onde bate aquela saudade...

Passam os momentos...

As ilusões...

Os sonhos...E os pesadelos...

A vida continua a passar...Mesmo só... Ela continua...

No mesmo ritmo...

O ritmo das batidas do coração...

Mesmo os solitários...

Continuam a bater...

É o caso deste poeta...

 

Poeta Urbano

 

foto | Nazaré | Maio'17

12
Mai17

tempo

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Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

 

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

 

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!

 

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem’

 

foto | Nazaré | maio'17

08
Mai17

o surf e a lenda

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Veado
2016
Mármore e Aço Corten
6,30m de altura


O Sítio da Nazaré, lugar de grande riqueza patrimonial, foi outrora muito povoado por veados. A célebre Lenda da Nazaré refere que Dom Fuas Roupinho caçava no Sítio e que, numa manhã de nevoeiro do século XII, se isolou dos companheiros quando perseguia um veado que se lançou no precipício. Na iminência de cair, o cavaleiro gritou pelo auxilio de Nossa Senhora da Nazaré. De imediato o cavalo estancou e cravou as patas traseiras na extremidade da arriba salvando Dom Fuas Roupinho. Nos últimos anos, a Praia do Norte da Nazaré tem sido o palco onde os surfistas descem as maiores ondas do planeta - existem registos de ondas de 30 metros. Nesta obra antropomórfica da autoria de Agostinho Pires e realizada pela escultora Adália Alberto (oferta ao Município da Nazaré) são visíveis as referências a estes dois momentos marcantes da História da Nazaré, enaltecendo o passado e elogiando o presente, ambos conjugados na escultura "Veado".

 

fotos | Nazaré | maio'17

 

05
Mai17

teatro das cidades

 

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Qualquer tempo é um tempo duvidoso
assim o meu cercado das cidades
plataformas instáveis
praticáveis cobertos de infinita gente náufraga
que se inclina nas águas como um palco.
Paro na convergência dos estrados
chove já sobre a raça ameaçada
Incertas multidões em volta passam
contemporâneas falam interpretam
a duvidosa língua das imagens
Assim no teatro abstrato das cidades
morrem palavras sobre um palco náufrago
O tempo cobre o céu que se enche de água.


Gastão Cruz

 

foto | Nazaré | maio'17

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