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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

29
Mar19

qualquer música, ah, qualquer

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Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!

 

Qualquer música - guitarra,
Viola, harmônio, realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...

 

Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!

 

Fernando Pessoa

 

foto | Tunisia | agosto'18

 

13
Jan18

fado dos azulejos

 

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Azulejos da cidade,

numa parede ou num banco,
são ladrilhas da saudade
vestida de azul e branco.

 

Bocados da minha vida,
todos vidrados de mágoa,
azulejos, despedida
dos meus olhos, rasos de água.

 

À flor dum azulejo, uma menina;
do outro, um cão que ladra e um pastor.
Ai, moldura pequenina,
que és a banda desenhada
nas paredes do amor.

 

Azulejos desbotados
por quanto viram chorar.
Azulejos tão cansados
por quantos vira m passar.

 

Podem dizer-vos que não,
podem querer-vos maltratar:
de dentro do coração
ninguém vos pode arrancar.

 

À flor dum azulejo, um passarinho,
um cravo e um cavalo de brincar;
um coração com um espinho,
uma flor de azevinho
e uma cor azul luar.

 

À flor do azulejo, a cor do Tejo
e um barco antigo, ainda por largar.
Distância que já não vejo,
e enche Lisboa de infância,
e enche Lisboa de mar.

 

Carlos do Carmo

 

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fotos| Lisboa | dezembro'17

 

22
Ago17

o largo do coreto

foto  S. Torcato - Guimarães  fevereiro'17 3

 


A banda já chegou
Àquele domingo, no jardim
Há fardas engomadas
E um perfume de jasmim.
E enche-se o coreto
E trompetes e trombones
De clarins
E saxofones.
Marias e magalas, mão na mão,
Crianças de berlingue ou de pião,
Senhores empertigados
Ofereciam rebuçados
Às senhoras
Pois então!
E o largo do coreto, pouco a pouco
Enchia-se no quadro mais barroco
E o homem das castanhas
Com as suas artimanhas
Enganava-se no troco.
Foi há tanto tempo
Num domingo, no jardim
Era como se a banda
Só tocasse para mim.
E o maestro regia
Com tais modos de importância
Que marcou
A minha infância

 

O Largo do Coreto, José Cid

 

foto | S. Torcato - Guimarães | fevereiro'17

 

 

28
Nov16

o fado invadiu a noite vimaranense...

...e a gente da minha terra aplaudiu de pé o “Mundo” de Mariza.

 

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Na noite fria da passada sexta-feira o Multiusos de Guimarães encheu para ouvir Mariza, que brindou o público com alegria e simpatia, surpreendendo a cada música com a sua voz potente e determinada transmitindo o sentir da alma portuguesa.

 

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Foi um concerto de cortar a respiração, com pura magia a cada instante, transcendendo todo um sem fim de emoções e sentimentos.

 

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Decorreram mais de duas horas de homenagem ao património imaterial da humanidade e terminou, em grande, com uma explosão de alegria.

 

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Um concerto inesquecível que ultrapassou todas as minhas expectativas. Mariza canta com sentimento, canta o nosso fado, e é Portugal!

 

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...

É preciso perder
Para depois se ganhar
E mesmo sem ver
Acreditar!

É a vida que segue
E não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite
Sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.

...

 

Melhor de Mim

Mariza

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 ♥ FOTOS | Guimarães | novembro'16 ♥

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