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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

30
Jan18

unidade e compreensão

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Necessitamos imenso de unidade e de compreensão. Unidade não é uniformidade, mas busca e aceitação do que nos completa e complementa. Compreensão não é domínio sobre as diferenças, é diálogo e apreço pelas outras realidades que não são as nossas. Há caminhos de unidade e de diálogo tão exigentes que
só podem ser trilhados pelos humildes, isto é, pelos que não desistem, mesmo quando não vêem resultados.

 

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

 

foto | Lisboa | dezembro'17

27
Jan18

dois cavalos de pedra

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O Coração

 

Que jogo jogas, comédia ou lágrima? Cor
suspensa. Prodígio doendo. Enganador
relâmpago. Donde se enreda esta coragem
que chora ao riso e ri à dor? Quatro são

 

as pedras mestras do teu jogo. Dois cavalos
e os reis. Melancólicos actores. Vazia, a
plateia. O tempo ferido. O peão fugitivo.
A emoção real do presságio. O aceno

 

cordial do outro lado do jogo. Inscrição
única do pólen, jogada que se arrasta.
Gota de tédio na lonjura das casas.

 

O fecho do jogo se conclui. Muda o rosto a
visão possível. Cordato, o lance destrói
a memória do que já não vejo ou sei.

 

Orlando Neves, in "Decomposição - o Corpo"

 

foto | Lisboa | dezembro'17

 

13
Jan18

fado dos azulejos

 

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Azulejos da cidade,

numa parede ou num banco,
são ladrilhas da saudade
vestida de azul e branco.

 

Bocados da minha vida,
todos vidrados de mágoa,
azulejos, despedida
dos meus olhos, rasos de água.

 

À flor dum azulejo, uma menina;
do outro, um cão que ladra e um pastor.
Ai, moldura pequenina,
que és a banda desenhada
nas paredes do amor.

 

Azulejos desbotados
por quanto viram chorar.
Azulejos tão cansados
por quantos vira m passar.

 

Podem dizer-vos que não,
podem querer-vos maltratar:
de dentro do coração
ninguém vos pode arrancar.

 

À flor dum azulejo, um passarinho,
um cravo e um cavalo de brincar;
um coração com um espinho,
uma flor de azevinho
e uma cor azul luar.

 

À flor do azulejo, a cor do Tejo
e um barco antigo, ainda por largar.
Distância que já não vejo,
e enche Lisboa de infância,
e enche Lisboa de mar.

 

Carlos do Carmo

 

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fotos| Lisboa | dezembro'17

 

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