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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

28
Jul17

torre de névoa

Guimarães fevereiro'17 21

Subi ao alto, à minha torre esguia,
Feita de fumo, névoas e luar,
E pus-me, comovida, a conversar
Com os poetas mortos, todo o dia.

Contei-lhes os meus sonhos, a alegria
Dos versos que são meus, do meu sonhar,
E todos os poetas, a chorar,
Responderam-me então: «Que fantasia,

Criança doida e crente! Nós também
Tivemos ilusões, como ninguém,
E tudo nos fugiu, tudo morreu!...»

Calaram-se os poetas, tristemente...
E é desde então que eu choro amargamente
Na minha torre esguia junto ao céu!...

 

Florbela Espanca

 

foto | Guimarães | fevereiro'17 
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009

 

14
Jul17

castelã da tristeza

Guimarães fevereiro'17 07

 

Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!

 

Castelã da Tristeza, vês?... A quem?!...
- E o meu olhar é interrogador -
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
Chora o silêncio...nada...ninguém vem...

 

Castelã da Tristeza, por que choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas,
À sombra rendilhada dos vitrais?...

 

À noite, debruçada p'las ameias,
Por que rezas baixinho? Por que anseias?...
Que sonho afagam tuas mãos reais?...

 

Florbela Espanca

 

foto | Guimarães | fevereiro'17

texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009

09
Jun17

sótão

 

Guimarães fevereiro'17 09

 

Por interstícios das malas abertas de quando éramos
crianças gritam as bocas sem nenhum eco
das bonecas. Criaturas fictícias, escalpelizadas
e sem tintas, de ventre oco. Mas o mortal
lugar do coração está ainda a palpitar.
O bojo do peito de celulóide, como o meu,
pede-nos perdão pela saudade que nos devora.

 

Fiama Hassa Pais Brandão

 

foto | Guimarães | fevereiro'17 

18
Mar17

o Padrão do Salado

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O Padrão do Salado, de estilo gótico, comemora, de acordo com a tradição, a Batalha do Salado travada em 1340 contra os mouros, no sul de Espanha. Nesta batalha, Afonso XI de Castela solicitou apoio ao rei português Afonso IV. Debaixo do padrão encontra-se a cruz normanda oferecida pelo negociante vimaranense Pero Esteves, residente em Lisboa. A cruz, feita em calcário, foi inicialmente dourada e policromada. Tem numa face Cristo Crucificado e na outra a Virgem. Na base, apresenta imagens de santos. 

 

in Guia da Cidade, Guimarães Turismo

 

fotos | Guimarães | fevereiro'17

14
Mar17

verdade

DSC02082.JPG

 

  

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

 

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

 

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

 

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.



Carlos Drummond de Andrade

 

foto | Guimarães | fevereiro'17

13
Mar17

a igreja e o Convento do Carmo

1.JPG

 


A construção da igreja e do Convento do Carmo iniciou-se em 1685, e constitui uma evidência do estilo barroco. O convento foi dedicado a Santa Teresa, desconhecendo-se o seu fundador.
No início de 1700, uma bula papal autorizava as recolhidas de Santa Teresa a tomarem o véu de religiosas carmelitas descalças, já sob a invocação de S. José. No entanto, o altar-mor era ocupado pela imagem de Nossa Senhora do Carmo – invocação mais vulgar e conhecida.
O corpo da igreja está dividido da capela-mor por um arco de pedra, e está enriquecido por dois altares laterais: o do Evangelho, dedicada a Santa Ana; o da Epístola, a Nossa Senhora do Carmo. No antigo coro existe ainda um outro altar, dedicado ao Senhor Morto, modernamente ereto por particular iniciativa e devoção.
Com a extinção oficial das ordens religiosas, a Igreja e o Convento passaram para a posse do Estado, com utilização para fins militares. A partir de 1862, o edifício passou a acolher o atual Lar de Santa Estefânia.

 

in Guimarães Turismo

 

 fotos | Guimarães | fevereiro'17

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