Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

18
Jun17

a arte é um esquivar-se a agir, ou a viver

DSC04435

 

A arte é um esquivar-se a agir, ou a viver. A arte é a expressão intelectual da emoção, distinta da vida, que é a expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim, há dois tipos de artista: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve.

 

Bernardo Soares

foto | Serralves | junho'17
texto | in "Pessoa e Pessoas de Pessoa" - EXINOV Editora | 2010

15
Jun17

a arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos

DSC04450

Julie Mehretu - Plover's Wing, 2009

 

 

A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos — vis porque são nossos e vis porque são vis.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso — o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.
Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.

Bernardo Soares

 

foto | Serralves | junho'2017

texto | in "Pessoa e Pessoas de Pessoa" - EXINOV Editora | 2010

13
Jun17

a vida não é colorida é colorível

DSC04447

Julie Mehretu

Mumbo Jumbo Patranhas, 2008

Tinta e tinta acrílica sobre tela

 

 

 

Há quem diga que sonha em preto e branco, outros, que sonham colorido. Sonhar colorido é muito mais interessante, pois tudo fica mais bonito. Os sonhos estão aí para definir a vida em cores. Os otimistas e sonhadores sempre vão dizer que a vida é colorível, mesmo que os sonhos sejam brancos e pretos.
A forma, pela qual todos veem a vida, não muda nada, o importante é que todos possam tornar a vida colorivel, porque o que sonham, seja preto e branco ou colorido, não importa. O que realmente é importante são os acertos, para que a vida se torne colorida.
Temos que viver colorindo a vida do nosso jeito, isto é, fazer com que a vida seja colorível. Assim seremos mais felizes.
A vida é muito mais que a exatidão de um preto e branco. Vai muito além da importância de torná-la colorida. Ela é uma dádiva e, viver plenamente, é um presente irrecusável, assim como é colorir um desenho.
Muitos diriam que, definir a vida em cores, para eles, ela seria preta e branca. Essas pessoas são muito calculistas, não se interessam muito em colorir a vida. Os pessimistas diriam que a vida é cinza, não haveria graça em tentar colori-la. Mas os otimistas e sonhadores diriam que a vida é para se colorir, então ela é colorivel.
Podemos seguir nosso caminho, logo, podemos deixar, junto a estes caminhos, uma vida colorida. Não é porque o papel é branco que deve permanecer branco. As folhas brancas estão aí para serem coloridas. E assim é a vida, colorível. Com os sentimentos de amor vem a bondade, a alegria e a vida se torna branda, bem colorida. São esses sentimentos que fazem com que a vida seja colorivel.
A vida ganha cor para que possamos apreciá-la, para não olharmos para ela e nos sentirmos amargos e infelizes, pois as cores trazem a felicidade.
Se os nossos sonhos forem em preto e branco, devemos fazer com que a vida seja muito mais que em preto e branco. Devemos dar cor à vida, porque ela é colorivel e ser colorivel é poder ter a oportunidade de colorir a vida.


Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Colorindo a vida"

 

foto | Fundação Serralves | junho'17

07
Jun17

Miró no Porto

 

1

 

Mais importante do que a obra de arte propriamente dita é o que ela vai gerar. A arte pode morrer; um quadro desaparecer. O que conta é a semente. 


Joan Miró

 

 

DSC04384

 

 A Fundação de Serralves mostrou pela primeira vez ao público as obras de Joan Miró propriedade do Estado Português. A exposição "Joan Miró: Materialidade e Metamorfose" encerrou ao público no passado domingo, no último dia da edição Serralves em Festa de 2017.

 

 

DSC04316

 

Esta coleção com cerca de 80 trabalhos percorre seis décadas da sua carreira (de 1924 a 1981) identificando a natureza física dos suportes e a elaboração dos materiais como fundamentos da obra plástica de Miró.

 

 

DSC04313

 

A arte de Miró emergiu com o movimento surrealista, uma das principais influências do século XX, que foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente.

 

 

DSC04391

 

A mostra, que percorre o rés-do-chão e o primeiro andar da Casa de Serralves, é composta por:

 

 

DSC04333

 

desenhos e outras obras sobre papel,

 

 

DSC04345

 

  diversas pinturas em suportes distintos,

 

 

DSC04326

 

trabalhos em tapeçarias e escultura,

 

 

DSC04339

 

outros realizados com colagens,

 

 

DSC04330

DSC04389

 

uma obra da série “Telas queimadas”,

 

 

DSC04397

 

e pinturas murais.

 

 

DSC04355

 

Uma exposição muito cativante que permitiu a um diversificado público um maior conhecimento da obra de um dos maiores artistas ibéricos.

 

 

DSC04361

 

Um mito compreendido no abstrato sonhador mais rendido.

 

fotos | Exposição "Joan Miró: Materialidade e Metamorfose" - Casa de Serralves | junho'17

08
Mai17

o surf e a lenda

DSC04230

DSC04237

Veado
2016
Mármore e Aço Corten
6,30m de altura


O Sítio da Nazaré, lugar de grande riqueza patrimonial, foi outrora muito povoado por veados. A célebre Lenda da Nazaré refere que Dom Fuas Roupinho caçava no Sítio e que, numa manhã de nevoeiro do século XII, se isolou dos companheiros quando perseguia um veado que se lançou no precipício. Na iminência de cair, o cavaleiro gritou pelo auxilio de Nossa Senhora da Nazaré. De imediato o cavalo estancou e cravou as patas traseiras na extremidade da arriba salvando Dom Fuas Roupinho. Nos últimos anos, a Praia do Norte da Nazaré tem sido o palco onde os surfistas descem as maiores ondas do planeta - existem registos de ondas de 30 metros. Nesta obra antropomórfica da autoria de Agostinho Pires e realizada pela escultora Adália Alberto (oferta ao Município da Nazaré) são visíveis as referências a estes dois momentos marcantes da História da Nazaré, enaltecendo o passado e elogiando o presente, ambos conjugados na escultura "Veado".

 

fotos | Nazaré | maio'17

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.