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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

28
Jul17

meu irmão progresso, minha irmã máquina

sonia'g

Alfandega da Fé_março17_03

 

 

Levei tempo a compreender a palavra Progresso. Levei tempo a compreender o segredo da minha irmã Máquina, filha, como nós, da nossa mãe terra. Aqueles que a desprezam e a caluniam são os mesmos que dela se aproveitam. Aqueles que, pelo contrário, obtiveram dela pouca coisa e só à custa de trabalho e sangue, sabem que ela é sua irmã e que é preciso libertá-la, arrancá-la às mãos dos incapazes para que se torne  nossa serva dócil e incansável.

O operário, o construtor de barragens, essas maravilhosas pirâmides do nosso tempo, lubrifica, unta e alimenta a máquina bela, precisa e séria de múltiplas engrenagens. E no seu coração como ele a ama! Um legítimo orgulho ilumina a sua fronte.

Se vou na rua e considero cada objecto na sua calma e beleza, a goteira, o puxador de cobre, a placa redonda de metal sobre a qual está escrito «Gás de Paris», sinto a alegria invadir-me diante de tanta beleza.

Cada objecto é um milagre, um fruto saboroso, trabalhado pela mão hábil de um dos meus irmãos, guiado pela inteligência e amizade. Sobre este alfinete, sobre este ticket de metro, um homem se debruçou, cheio de atenção, e lhe deu generosamente as mais belas horas ensolaradas da sua vida.

A tanto amor, como não responder pelo amor?

Cada objecto é um gesto amigo. Um sinal. Decifrai, pois, a mensagem amorosa dos objectos manufaturados. Eu gostaria, pela minha parte, de soletrar-lhes cada sílaba.

Se tudo isto sei é porque o amor ao mundo dos meus irmãos, um dia me dispersou, como às sementes pela terra. O amor me lançou à rua.

 

André Liberati

 

foto | Alfandega da Fé | março17
texto | in " Voz Consoante - Traduções de Poesia" de António Ramos Rosa - Quasi Edições | 2006

 

07
Jul17

não falta ninguém no jardim

sonia'g

Alfandega da Fé_março17_01

 

Não falta ninguém no jardim.
Não há ninguém:
somente o inverno verde e negro, o dia
desvelado como uma aparição,
fantasma branco, de fria vestimenta,
pelas escadas dum castelo. É hora
de não chegar ninguém, apenas caem
as gotas que vão espalhando o rocio
nestes ramos desnudos pelo inverno
e eu e tu nesta zona solitária,
invencíveis, sozinhos, esperando
que ninguém chegue, não, que ninguém venha
com sorriso ou medalha ou predisposto
a propor-nos nada.

 

Pablo Neruda

 

foto | Alfandega da Fé | março'17

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