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andar por fora ...

Há pequenos instantes de vida que preenchem o momento. O instante foge. Eternizam-se ou passam despercebidos. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

12
Abr19

Évora

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Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas ... Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
Que nos perdoe as míseras vaidades!

Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora! ... O teu olhar ... o teu perfil ...
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
Que o coração no peito me almoroça!

... Em cada viela o vulto dum fantasma ...
E a minh'alma soturna escuta e pasma ...
E sente-se passar menina e moça ...

Florbela Espanca

 

foto | Évora | agosto'18

28
Set12

Árvores do Alentejo

 

 

 

 

"Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água! "

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

 

 

FOTO:
Alentejo
Agosto'12

27
Set12

A cama do mouro

Lenda da Moura Encantada de Evoramonte.

 

 

 

 

"D. Afonso Henriques para alargar o território conquistou muitas terras aos mouros e, entre elas, Evoramonte. Os mouros que habitavam a vila foram feitos prisioneiros e, entre estes, uma linda menina nobre, cujo casamento com um rico e nobre cavaleiro estava havia muito tempo marcado para esse dia em que inesperadamente Evoramonte foi assaltada. Esta circunstância impediu que se realizasse o sonho dos dois amantes porque, primeiro que tudo, a pátria em perigo precisava do braço valente do nobre cavaleiro.

Os mouros que naquele dia não caíram no campo de batalha, uns foram aprisionados e outros fugiram, entre estes o jovem apaixonado. Não pode a linda noiva resistir por muito tempo sem saber novas do seu amado e, passado pouco tempo, morreu.

No dia imediato a este triste acontecimento as vigias, que a essa hora estavam nas muralhas, viram, no sítio que é hoje conhecido por Alpedriches, sobre uma rocha em forma de leito, um homem que parecia adormecido. A curiosidade levou-os lá e viram que era o jovem noivo da bela agarena que tinha falecido na véspera. Ele também estava morto, o desventurado.

A desdita do mouro comoveu os nossos que lhe deram sepultura junto à da sua linda noiva e assim os dois amantes alcançaram na morte o que a vida lhes negara - a união.

A rocha aonde foi encontrado chama-se desde então, e por esse facto, a cama do mouro.

Diz-se ainda que a moura, na noite de S. João à meia noite, aparece no poço do clérigo penteando as suas louras tranças e entoando uma triste e dolente canção de amor."

 

FOTO:
Evora Monte
Agosto'12

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