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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

29
Mar17

a casa típica transmontana

sonia'g

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«As casas antigas são construídas de pedra, sendo os interiores sombrios. As paredes e os tectos das cozinhas são normalmente escuras como breu. As lareiras estão acesas grande parte do ano para cozinhar e aquecer e, de Novembro até Março, penduram-se por cima da lareira grandes quantidades de porco salgado e enchidos para serem fumados. As casas estão tão juntas que se perde a privacidade; com o simples abrir das portas da frente mostram-se imediatamente a qualquer passante as cozinhas e as salas.Os aposentos ficam no andar de cima e em baixo os estábulos, as arrumações de produtos agrícolas ou a adega.»  

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Subia-se ao primeiro andar pelas escaleiras exteriores de granito, ligadas à rua apoiando-se no corrimão. A casa do lavrador mais abastado era rodeada pelo espaço curral. Neste espaço, que rodeava a casa situava-se o cabanal, onde se guardava a lenha retirada do sequeiro, já partida e livre da chuva, e as alfaias agrícolas.

Era ainda o curral o lugar do recreio dos animais. Tinha uma grande fachada ou porta carral, de pelo menos três metros de altura para passarem livremente os carros de lenha ou de feno. É este amplo espaço que o lavrador chama os roussios.

 

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O espaço que ficava em falso sob as escaleiras, era aproveitado para o galinheiro. Ficava um buraco na parede para as galinhas entrarem, ao qual tinham acesso por uma tábua. Daqui surgiu a expressão popular de, todos os dias ao pôr-do-sol “ir fechar o buraco das pitas”.

Toda a parte superior da casa assentava sobre grossas traves.

Do cimo das escaleiras, passava-se à varanda de madeira, rodeada por um corrimão e situada geralmente a sul ou a nascente. É o espaço característico da casa que está a desaparecer nas novas construções. Ajudava a varanda a defesa dos ventos agrestes e regelados e do calor escaldante. Nela se secava a roupa estendida numa cana, se apanhava o sol, se expunham os cacos das malvas, craveiros e manjericos, e nas canículas se podia descansar a sesta e cerar ao fresco. Por isso, era larga para caber a mesa e os bancos, e a camarada de segadores, e coberta com a continuação do telhado.

No bordo, o seu pé direito não chegava, ás vezes, a dois metros de altura, para melhor resguardo.

Os beirais muito salientes, interiormente forrados com tábuas, são apoiados em pilares de madeira, espaçados. Há os balaústres de pedra trabalhada, ou simplesmente lisos, com tabuinhas cruzadas, num reticulado horizontal e vertical, sobreposto obliquamente, formando losangos, de grande efeito decorativo.

 

textos in  Ser Transmontano

 

fotos | Alagoa | Março'17

28
Mar17

bom conselho

sonia'g

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Põe sempre os nomes aos bois
Nas histórias que contares.
Ou logo os burros depois
Se queixam de os retratares:

 

"Mas são as minhas orelhas!
Este azurrar é o meu!
Se estas são minhas guedelhas!
Ai este burro sou eu!

 

Não me nomeie ele embora,
Toda a Pátria vai agora
Saber-me por burro, hin-hã!
Ai que eu, hin-hã, hin-hã!"

 

- Quiseste a um burro poupar...
Logo doze hão-de zurrar.

 

Heinrich Heine

 

foto | Alagoa | março'17

21
Mar17

uma visita ao nordeste transmontano

sonia'g

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No último fim de semana de inverno o sol reinou e as temperaturas quase de verão fizeram as delicias de uma família pelo nordeste trasmontano.

 

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 Como o Dia do Pai era ao Domingo resolvi surpreender o meu Pai levando-o às suas origens.

 

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 A primeira paragem foi na princesa do Tua...

 

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 ... e rainha da alheira...

 

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 ...Mirandela pois claro.

 

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 Almoçamos no Restaurante "A Adega", um excelente restaurante típico.

 

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Como o sol convidava a praia, e ainda não conhecia a famosa Albufeira do Azibo, pareceu-me o dia perfeito para fazer uma visita às suas praias.

 

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 O local é mesmo encantador e a temperatura até convidava a um mergulho, mas não tinha biquíni 

 

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 Uma breve pausa em Alfândega da Fé para refrescar e descansar um pouco. 

 

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 Chegamos à Quinta da Terrincha a meio da tarde. Já é um espaço familiar que não nos cansamos de repetir, onde tudo é fantástico e especial: o ambiente, as pessoas, a quinta, as casas, é mesmo impossível não gostar.

 

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 Surpreendeu e superou as nossas expectativas na primeira visita e ainda surpreende a cada nova visita.

 

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Jantamos no Restaurante "Canto da Terrinha , que agora não é explorado pela Quinta, mas a comida continua boa.

 

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 A manhã de Domingo foi dedicada ao descanso quase absoluto.

 

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 Perto da hora de almoço subimos para a aldeia, que fica a meia hora da quinta, para almoçarmos com a família.

 

DSC03483.JPGO resto do dia foi de visita à aldeia e à família.

 

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 Tentei arranjar um novo amigo...

 

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 ... mas não fui bem sucedida.

 

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 Ao final do dia regressei a casa de alma revigorada.

 

fotos | março'17

12
Jan17

árvore despida perdida num paraíso

sonia'g

 

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Uma árvore despida
Perdida num recanto
De um paraíso perdido
Num mundo por inventar
Num mundo por colorir!

 

Seus braços parados
Sem força para balancear
Seus frutos há muito que
Partiram e a deixaram na
Solidão do ser, do querer.

 

O seu troco hirto
Mantém de pé um sonho
Perdido, há muito esquecido
Nos ramos sofridos,
Pela solidão da dor…
Uma árvore morre ..
Sempre de pé! !!!

 

Tulipa

 

FOTO | Alagoa | abril'10

21
Nov16

sombra branca

sonia'g

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Há nevoeiro nos pinhais...
Perfidamente, sorrateiro,
Cresce, recresce o nevoeiro...

 

Mas os pinheiros não sabem mais
se aquela branca longa mão fina
é prá afogá-los, se é uma carícia.

 

Subtil, manhoso, todo malícia,
Sobe o nevoeiro...
São quase imersos os pinheirais.
Mas os pinheiros não sabem mais
se hão-de gritar, se hão-de beijar
aquela fina branca mão longa
que os estrangula...

 

Sebastião da Gama

 

 ♥ FOTO | Alagoa | dezembro'10 ♥

17
Nov16

certo querer...

sonia'g

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Uma longa espera...
Pelo que nunca veio e talvez jamais venha.
Um querer provar outro gosto, outro bocado.
Perco-me nas voltas que traço
E meus territórios abertos
Mostram-me o horizonte longe demais.
Inalcançável aos meus olhos...
É querer esse “nada” cheio de mistérios.
Outras palavras, antes jamais ditas.
Rios que querem fluir, ir ao encontro
Do mar desconhecido, assustador.
Ao mesmo tempo o medo
De ficar a deriva, num mar bravio...
É me olhar do alto de mim.
Nada entender, ainda assim me permitir.
É o querer ser o que digo
E o que penso, sem negar, nem me esconder.
É querer o plano “B”, antes até
Da estratégia montada.
A ânsia por descobrir, conhecer, ouvir.
É contornar minhas margens
Preencher meus espaços...
E aprender a nesses vácuos...
Não tecer fios de solidão.
Confuso esse querer ir embora
De mim mesma...

 

Glória Salles

 

♥ FOTO | alagoa | abril'10 ♥

15
Set16

o regresso do rebanho

sonia'g

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Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem dar por isso.

(...)

Alberto Caeiro (Guardador de Rebanhos)

 

  ♥ FOTOS | Alagoa | setembro'16 ♥

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