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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

31
Mar17

a velha casa da avó Otilia

sonia'g

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Casa Velha...
Ali infância
Brincadeiras de criança
Um tempo em que ficou para trás
Mas que está registrado
No quadro
Na parede da memória.
Sol, chuva
Amanheceres
Entardeceres
A estrada
O quintal
A cerca
O córrego
Paisagens
Viagens
Fragmentos de tempo
Tecidos de momentos
De aquis-e-agoras.
Tempo em que passou por mim
Mas que ao mesmo tempo ficou
Parte de mim mesmo
Composição de todo o meu ser
De tudo aquilo que sou
Estações transcorridas
Páginas do livro da minha vida
Capítulos da minha história !


Raul Nunes

 

foto | Alagoa | março'17

31
Mar17

rua do Canelho

sonia'g

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 A Alagoa é uma pequena aldeia do concelho de Vila Flor. São cada vez menos os seus habitantes residentes. Há muito que já não escola. Não há café ou qualquer tipo de comércio. O silêncio e a solidão reinam em todos os recantos. As casas típicas jazem em ruínas. Desertas e abandonadas as suas histórias são apenas memórias. Cresci com esta aldeia no coração. Foram muitos os verões e natais que lá passei. Tenho recordações maravilhosas dos momentos que lá vivi. Agora apenas faço uma breve passagem de quando em vez.

 

 

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A minha avó morava no coração da aldeia.  Uma pequena rua sem saída. Na rua do Canelho moraram durante décadas os Gonçalves. Nas pequenas casas moravam os pais, os filhos, guardava-se o burro, criava-se o porco...

 

Num canto acendia-se o lume, noutro dormia a família, geralmente numerosa, e noutro salgava-se o porco.

 

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Chegaram a morar na rua quarenta pessoas. Eram tempos difíceis, porém, fartos de grande solidariedade humana. A alegria e as brincadeiras das crianças enchiam a rua. Ao fundo da rua, ao lado da carroça, era a escola.

 

DSC03460.JPGO que hoje sobra em espaço falta em vida. Agora não passa de uma rua fantasma perdida na aldeia.

 

fotos | Alagoa | março'17

29
Mar17

a casa típica transmontana

sonia'g

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«As casas antigas são construídas de pedra, sendo os interiores sombrios. As paredes e os tectos das cozinhas são normalmente escuras como breu. As lareiras estão acesas grande parte do ano para cozinhar e aquecer e, de Novembro até Março, penduram-se por cima da lareira grandes quantidades de porco salgado e enchidos para serem fumados. As casas estão tão juntas que se perde a privacidade; com o simples abrir das portas da frente mostram-se imediatamente a qualquer passante as cozinhas e as salas.Os aposentos ficam no andar de cima e em baixo os estábulos, as arrumações de produtos agrícolas ou a adega.»  

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Subia-se ao primeiro andar pelas escaleiras exteriores de granito, ligadas à rua apoiando-se no corrimão. A casa do lavrador mais abastado era rodeada pelo espaço curral. Neste espaço, que rodeava a casa situava-se o cabanal, onde se guardava a lenha retirada do sequeiro, já partida e livre da chuva, e as alfaias agrícolas.

Era ainda o curral o lugar do recreio dos animais. Tinha uma grande fachada ou porta carral, de pelo menos três metros de altura para passarem livremente os carros de lenha ou de feno. É este amplo espaço que o lavrador chama os roussios.

 

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O espaço que ficava em falso sob as escaleiras, era aproveitado para o galinheiro. Ficava um buraco na parede para as galinhas entrarem, ao qual tinham acesso por uma tábua. Daqui surgiu a expressão popular de, todos os dias ao pôr-do-sol “ir fechar o buraco das pitas”.

Toda a parte superior da casa assentava sobre grossas traves.

Do cimo das escaleiras, passava-se à varanda de madeira, rodeada por um corrimão e situada geralmente a sul ou a nascente. É o espaço característico da casa que está a desaparecer nas novas construções. Ajudava a varanda a defesa dos ventos agrestes e regelados e do calor escaldante. Nela se secava a roupa estendida numa cana, se apanhava o sol, se expunham os cacos das malvas, craveiros e manjericos, e nas canículas se podia descansar a sesta e cerar ao fresco. Por isso, era larga para caber a mesa e os bancos, e a camarada de segadores, e coberta com a continuação do telhado.

No bordo, o seu pé direito não chegava, ás vezes, a dois metros de altura, para melhor resguardo.

Os beirais muito salientes, interiormente forrados com tábuas, são apoiados em pilares de madeira, espaçados. Há os balaústres de pedra trabalhada, ou simplesmente lisos, com tabuinhas cruzadas, num reticulado horizontal e vertical, sobreposto obliquamente, formando losangos, de grande efeito decorativo.

 

textos in  Ser Transmontano

 

fotos | Alagoa | Março'17

28
Mar17

bom conselho

sonia'g

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Põe sempre os nomes aos bois
Nas histórias que contares.
Ou logo os burros depois
Se queixam de os retratares:

 

"Mas são as minhas orelhas!
Este azurrar é o meu!
Se estas são minhas guedelhas!
Ai este burro sou eu!

 

Não me nomeie ele embora,
Toda a Pátria vai agora
Saber-me por burro, hin-hã!
Ai que eu, hin-hã, hin-hã!"

 

- Quiseste a um burro poupar...
Logo doze hão-de zurrar.

 

Heinrich Heine

 

foto | Alagoa | março'17

21
Mar17

uma visita ao nordeste transmontano

sonia'g

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No último fim de semana de inverno o sol reinou e as temperaturas quase de verão fizeram as delicias de uma família pelo nordeste trasmontano.

 

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 Como o Dia do Pai era ao Domingo resolvi surpreender o meu Pai levando-o às suas origens.

 

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 A primeira paragem foi na princesa do Tua...

 

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 ... e rainha da alheira...

 

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 ...Mirandela pois claro.

 

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 Almoçamos no Restaurante "A Adega", um excelente restaurante típico.

 

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Como o sol convidava a praia, e ainda não conhecia a famosa Albufeira do Azibo, pareceu-me o dia perfeito para fazer uma visita às suas praias.

 

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 O local é mesmo encantador e a temperatura até convidava a um mergulho, mas não tinha biquíni 

 

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 Uma breve pausa em Alfândega da Fé para refrescar e descansar um pouco. 

 

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 Chegamos à Quinta da Terrincha a meio da tarde. Já é um espaço familiar que não nos cansamos de repetir, onde tudo é fantástico e especial: o ambiente, as pessoas, a quinta, as casas, é mesmo impossível não gostar.

 

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 Surpreendeu e superou as nossas expectativas na primeira visita e ainda surpreende a cada nova visita.

 

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Jantamos no Restaurante "Canto da Terrinha , que agora não é explorado pela Quinta, mas a comida continua boa.

 

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 A manhã de Domingo foi dedicada ao descanso quase absoluto.

 

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 Perto da hora de almoço subimos para a aldeia, que fica a meia hora da quinta, para almoçarmos com a família.

 

DSC03483.JPGO resto do dia foi de visita à aldeia e à família.

 

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 Tentei arranjar um novo amigo...

 

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 ... mas não fui bem sucedida.

 

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 Ao final do dia regressei a casa de alma revigorada.

 

fotos | março'17

20
Mar17

pedra sobre pedra

sonia'g

 

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Perdida nas montanhas numa encosta da bonita Serra do Açor, no concelho de Arganil, situa-se uma das mais bonitas Aldeias Históricas de Portugal: a aldeia de Piódão.

 

 

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Os difíceis acessos é um forte exemplo de como ao longos dos séculos o homem se adaptou aos mais inóspitos e sublimes locais.

 

 

 Piódão é uma aldeia serrana e rural que ao longo de décadas viveu isolada, preservando assim os seus traços culturais que remontam à Idade Média.

 

 

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A aldeia aparece destacada no meio de um imenso manto verde...

 

 

 

 ...com o predominante azul das portas e das janelas de madeira...

 

 

 ...o xisto das casas e dos telhados...

 

 

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 ...e também do pavimento das suas sinuosas e estreitas ruas.

 

 

A bela Igreja Matriz pintada de branco com listas azuis contrasta com as cores escuras do restante cenário.

 

 

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 As cruzes ombreiras das portas invocam protecção a Santa Bárbara contra as intempéries.

 

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As casas estão ordenadas em forma de anfiteatro natural, em socalcos, como se de um presépio se tratasse. 

 

 

 A partir da aldeia existem diversos percursos pedestres para explorar, devidamente assinalados.

 

 

Um local de uma beleza única em Portugal, que merece ser conhecido.

 

 

fotos | Piódão | março'17

15
Mar17

pelas maravilhas das Beiras

sonia'g

 

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  O destino do fim de semana foi a Beira Alta.

 

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 Sábado partimos cinco mulheres pelos caminhos de Portugal rumo ao Centro, para comemorarmos não o dia da mulher mas a chegada aos 40 de uma grande amiga.

 

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 A primeira paragem foi a Lagoa Comprida para saborear os apetitosos petiscos do nosso piquenique...

 

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 ...e cantarmos os Parabéns à nossa amiga. A ventania, nossa companheira de viagem, dificultou um pouco mas conseguimos.

  

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 Subimos até à Torre. Havia pouca neve, só mesmo no topo...

 

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 ...mas ainda deu para uns passeios na neve...

 

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 ... e fazer o boneco de neve 2017.

 

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 Ao final da tarde deixamos a serra em direcção à quinta que escolhemos para pernoitar.

 

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 O Lugar do Ainda foi o eleito. Magnifica escolha.

 

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 O domingo começou com um pequeno-almoço delicioso repleto de produtos locais seguido de um agradável passeio pela quinta e pelo riacho.

 

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Saímos em direcção a Piódão seguindo as indicações do GPS. 

 

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Subimos e descemos serras e montes, com vistas de cortar a respiração sobre a Serra do Açor e a Serra da Estrela. 

 

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 Adoro conduzir em estradas de montanha, verdadeiras montanha-russas, mas as minhas amigas não acharam muita graça a tanta curva e contracurva.

 

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 Pelo caminho não deu para grandes paragens, o objectivo era almoçar em Piódão. 

 

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Objectivo falhado quando alcanço o quilómetro 160,4 da estrada nacional 230 em Teixeira. Volto para trás e almoçamos no Restaurante Pedras Lavradas.

 

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 Foi o acaso que nos levou lá, mas foi uma excelente escolha.

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Aqui esclareceram que o acesso está condicionado devido a uma derrocada. Inacreditavelmente é uma situação que se arrasta à cerca de três anos.

 

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 Chegadas a Piódão, mais concretamente à Foz d' Égua, estacionei e subimos até à aldeia pelo trilho.

 

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 Como a subida demorou um pouco mais do que estávamos à espera decidimos fazer o percurso inverso de taxi para assim podermos conhecer melhor a aldeia...

 

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 ...mas o único táxi que lá existe não estava de serviço.

 

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 Assim tivemos que voltar pelo trilho...

 

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...e deixar a exploração para uma próxima, senão arriscávamos chegar a casa de madrugada.

 

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 E, perto do final da tarde, regressamos a casa, revigoradas para mais uma semaninha. Foi sem dúvida um fim de semana muito agradável e de exploração do bonito Centro de Portugal.

 

 fotos | março'17

 

12
Jan17

árvore despida perdida num paraíso

sonia'g

 

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Uma árvore despida
Perdida num recanto
De um paraíso perdido
Num mundo por inventar
Num mundo por colorir!

 

Seus braços parados
Sem força para balancear
Seus frutos há muito que
Partiram e a deixaram na
Solidão do ser, do querer.

 

O seu troco hirto
Mantém de pé um sonho
Perdido, há muito esquecido
Nos ramos sofridos,
Pela solidão da dor…
Uma árvore morre ..
Sempre de pé! !!!

 

Tulipa

 

FOTO | Alagoa | abril'10

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