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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

01
Ago17

antigos e mortos castanheiros

sonia'g

Alagoa_março17_02

 

...

Ó antigos e mortos castanheiros,

Ainda vos vejo em formas espectrais...

Souto de sombra e tristes nevoeiros,

Que surges ao luar, e rumorejas!....

Ó árvores a pairar longinquamente,

Abrindo, no ar, os ramos com folhagem;

Ermos fantasmas vegetais que anda

Encheis de negros vultos a paisagem...

Troncos de névoa, aos ventos, ondulando,

Que me dão fruto e flor e reverdecem

E penetram o chão, n'ele sugando

Águas de sombra e seivas de crepúsculo.

Ó ramagens fantásticas, que um vento

De mistério perturba! Ó folhas secas

Que voais pelo escuro Firmamento

E sois alma da noite e luzes tristes...

...

 

Teixeira de Pascoaes

 

 

foto | Alagoa | março17
texto | in " A Poesia de Teixeira de Pascoaes" de Jorge de Sena - Brasília Editora | 1982

23
Jul17

ruínas

sonia'g

Alagoa_março17_05

 


Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

 

E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!

 

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!

 

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar.

 

Florbela Espanca

 

foto | Alagoa | março17
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009

 

08
Jun17

velha casa

sonia'g

Alagoa_março17_08

 

 

...

Velha casa que o sol aquece e doira;

E o luar lhe sopra, em tardes outonais,

Espírito e penumbra que o diluem 

Em ermos, vagas espectrais.

 

Velhinha casa! Ó portas oscilando,

Desconjuntadas já das mãos do vento,

E amolecidas do contacto brando

Dos longos dedos húmidos da chuva.

Tristes ruínas que a Volúpia faz!

...

 

Teixeira de Pascoaes

 

 

 

foto| Alagoa | março'17

texto | in " A Poesia de Teixeira de Pascoaes" de Jorge de Sena - Brasília Editora | 1982

 

29
Abr17

o quintal onde a gente brincou

sonia'g

DSC03454

 

Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo.


Manoel de Barros

 

foto | Alagoa | março'17

28
Abr17

canção da tarde no campo

sonia'g

DSC03484

 

Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cercas de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

 

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

 

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

 

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.

 

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua:
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

 

Eu ando sozinha

por dentro dos bosques.
Mas a fonte é minha.

 

De tanto olhar para longe,

não vejo o que passa perto.
subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.

 

Eu ando sozinha,
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

 

Cecília Meireles

 

foto | Alagoa | abril'17

10
Abr17

a vida me ensinou...

sonia'g

 

DSC03482.JPG

 

  

«A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo,
Sem tira-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;


Calar-me para ouvir;
Aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças;
Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo,
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhosa com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente,
Pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente,
Pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordada;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesma tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.»

 

Fênix Faustine

foto | Alagoa | março'17

 

31
Mar17

a velha casa da avó Otilia

sonia'g

DSC03459.JPG

    

Casa Velha...
Ali infância
Brincadeiras de criança
Um tempo em que ficou para trás
Mas que está registrado
No quadro
Na parede da memória.
Sol, chuva
Amanheceres
Entardeceres
A estrada
O quintal
A cerca
O córrego
Paisagens
Viagens
Fragmentos de tempo
Tecidos de momentos
De aquis-e-agoras.
Tempo em que passou por mim
Mas que ao mesmo tempo ficou
Parte de mim mesmo
Composição de todo o meu ser
De tudo aquilo que sou
Estações transcorridas
Páginas do livro da minha vida
Capítulos da minha história !


Raul Nunes

 

foto | Alagoa | março'17

31
Mar17

rua do Canelho

sonia'g

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 A Alagoa é uma pequena aldeia do concelho de Vila Flor. São cada vez menos os seus habitantes residentes. Há muito que já não escola. Não há café ou qualquer tipo de comércio. O silêncio e a solidão reinam em todos os recantos. As casas típicas jazem em ruínas. Desertas e abandonadas as suas histórias são apenas memórias. Cresci com esta aldeia no coração. Foram muitos os verões e natais que lá passei. Tenho recordações maravilhosas dos momentos que lá vivi. Agora apenas faço uma breve passagem de quando em vez.

 

 

DSC03467.JPG

A minha avó morava no coração da aldeia.  Uma pequena rua sem saída. Na rua do Canelho moraram durante décadas os Gonçalves. Nas pequenas casas moravam os pais, os filhos, guardava-se o burro, criava-se o porco...

 

Num canto acendia-se o lume, noutro dormia a família, geralmente numerosa, e noutro salgava-se o porco.

 

DSC03466.JPG

Chegaram a morar na rua quarenta pessoas. Eram tempos difíceis, porém, fartos de grande solidariedade humana. A alegria e as brincadeiras das crianças enchiam a rua. Ao fundo da rua, ao lado da carroça, era a escola.

 

DSC03460.JPGO que hoje sobra em espaço falta em vida. Agora não passa de uma rua fantasma perdida na aldeia.

 

fotos | Alagoa | março'17

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