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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

10
Nov17

não transformes as tuas convicções em pedras

sonia'g

foto  Mykonos  agosto'17_04


Quando as verdades são evidentes e absolutamente contraditórias, o que tens a fazer é mudar de linguagem. A lógica não serve para te ajudar a passares de um andar para o outro. Tu não prevês o recolhimento a partir das pedras. E, se falares do recolhimento com a linguagem das pedras, vais-te abaixo. Precisas de inventar essa palavra nova para dares conta de uma certa arquitectura das tuas pedras. Porque nasceu um ser novo, não divisível, nem explicável; porque explicar é demonstrar. E tu baptiza-lo então com um nome.
Como é que tu havias de raciocinar sobre o recolhimento? Como é que havias de raciocinar sobre o amor? Como é que havias de raciocinar sobre a propriedade? Não se trata de objectos, mas de deuses.

 

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

 

 

foto | Mykonos | agosto'17

08
Nov17

o mesmo

sonia'g

DSC05793

 


O mesmo Teucro duce et auspice Teucro
É sempre cras — amanhã — que nos faremos ao mar.

 

Sossega, coração inútil, sossega!
Sossega, porque nada há que esperar,
E por isso nada que desesperar também...
Sossega... Por cima do muro da quinta
Sobe longínquo o olival alheio.
Assim na infância vi outro que não era este:
Não sei se foram os mesmos olhos da mesma alma que o viram.
Adiamos tudo, até que a morte chegue.
Adiamos tudo e o entendimento de tudo,
Com um cansaço antecipado de tudo,
Com uma saudade prognóstica e vazia.

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"

 

 

foto | Quinta da Terrincha | agosto'17

07
Nov17

canção do amor-perfeito

sonia'g

DSC05808

Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

 

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

 

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

 

Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'

 

foto | Quinta da Terrincha | agosto'17

06
Nov17

a caridade

sonia'g

DSC06694

 


Eu podia falar todas as línguas
Dos homens e dos anjos;
Logo que não tivesse caridade,
Já não passava de um metal que tine,
De um sino vão que soa.

 

Podia ter o dom da profecia,
Saber o mais possível,
Ter fé capaz de transportar montanhas;
Logo que eu não tivesse caridade,
Já não valia nada!

 

Eu podia gastar toda afortuna
A bem dos miseráveis,
Deixar que me arrojassem vivo às chamas;
Logo que eu não tivesse caridade,
De nada me servia!

 

A caridade é dócil, é bené
Nunca procede temeravola,
Nunca foi invejosa, riamente,
Nunca se ensoberbece!

 

Não é ambiciosa; não trabalha
Em seu proveito próprio; não se irrita;
Nunca suspeita mal!

 

Nunca folgou de ver uma injustiça;
Folga com a verdade!

 

Tolera tudo! Tudo crê e espera!
Em suma tudo sofre!

 

João de Deus, in 'Campo de Flores'

 

foto | Patmos | agosto'17

 

 

05
Nov17

homem

sonia'g

fotos  Acrópole de Atenas  agosto'17_19

 

 

Somos demasiado pequenos, somos muito pouco. Somos uma agulha de pinheiro diante de um incêndio, somos um grão de terra diante de um terramoto, somos uma gota de orvalho diante de uma tempestade.

 

José Luís Peixoto

 

foto | Acrópole de Atenas | agosto'17

04
Nov17

espera...

sonia'g

fotos  Acrópole de Atenas  agosto'17_17

 

Não me digas adeus, ó sombra amiga,

Abranda mais o ritmo dos teus passos;

Sente o perfume da paixão antiga,

Dos nossos bons e cândidos abraços!

 

Sou a dona dos místicos cansaços,

A fantástica e estranha rapariga

Que um dia ficou presa nos teus braços...

Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

 

Teu amor fez de mim um lago triste:

Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,

Quanta canção de ondinas lá no fundo!

 

Espera... espera... ó minha sombra amada...

Vê que pra além de mim já não há nada

E nunca mais me encontras neste mundo!...

 

Florbela Espanca

 

foto | Acrópole de Atenas | agosto'17

03
Nov17

abrir as portas da felicidade

sonia'g

DSC05795

 


A Força é a chave que abre as portas da felicidade, pois sem ela nenhuma das outras nove portas é aberta. Se desejamos ser felizes, temos de apelar à nossa força interior e mental para mudar o que está mal em nós. A Força distingue-nos da norma, pois obriga-nos a lutar pela diferença de tentarmos ser felizes, dá-nos a capacidade de optar consecutivamente por um «sim» ou um «não».

 

A Força abre-nos fronteiras, cria passagens por mundos desconhecidos e torna-nos corajosos. A Força destrói os medos e combate a indiferença e a frustração. A Força é um desvio de direção quando nos aproximamos do abismo, é um acordar repentino quando apenas temos um precipício pela frente. A Força é compreender um aviso, um sinal. É derrotar definitivamente os dias tristes.
Sou feliz porque tenho Força para mudar o que não está bem.

 

Gustavo Santos , in 'Arrisca-te a Viver'

 

foto | Quinta da Terrincha | agosto'17

02
Nov17

os solitários

sonia'g

 

serra da estrela_março'17_5

 

 

Na fria planície me quedo em silêncio;
Um sol mortiço vai descendo a ocidente.
Pálida, a lua assoma ao firmamento.

 

Em fumos se expande a terra orvalhada.
Nos campos hirtos, sob o Verão quente
E fugaz, esconde-se o gelo eterno:
É o Inverno numa farsa de Verão.

 

Ainda se ouvem os chocalhos tilintar,
Ainda se avista o trilho irregular,
A carroça, essa, deixou de se ver.

 

Sim, tudo passa, desaparece...
E, embora inspire ternura,
O pouco que ficou
Não chega para viver.

 

Jan Jacob Slauerhoff

 

foto | Serra da estrela | março'17

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