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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

20
Ago17

violeta

sonia'g

 

DSC05734

 


Não quero a glória.
A glória é inveja, quimeras, enganos e intranquilidade.
Eu pouparei à história
banal a minha memória.
Mais que os aplausos - enganosa escória -
amo um ceptro augusto: a tranquilidade.
Não quero que o mundo coroe a minha fronte.
Eu quero ser fonte,
não quero ser mar.
Não quero ser condor que o céu levante o seu voo.
A calhandra não pode voar até ao céu,
mas sabe cantar.

 

Nicolás Guillén

 

foto | Ronfe -  Guimarães | julho'17

19
Ago17

viver com o coração

sonia'g

DSC05725

 

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem. O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada. Torne-se comum e você será extraordinário; tente se tornar extraordinário e você continuará sendo comum.

 

OSHO

 

foto | Ronfe - Guimarães | julho'17

18
Ago17

a porta

sonia'g

Guimarães fevereiro'17 30

 


Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

 

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

 

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

 

Eu sou muito inteligente!

 

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

 

Vinicius de Moraes

 

foto | Guimarães | fevereiro'17

18
Ago17

o pinheiro

sonia'g

foto Ilhas Cies - Vigo junho'17 09

 

Elegante talhe de verticalidade.
É a altitude.
Agreste seiva de resina.
É o perfume.
Alvas carnes de perenidade.
É o abrigo.
Verde pulmão de oxigênio.
É a saúde.
Rico leite dos pinhões.
É o alimento.
Perfil delicado e simétrico.
É a beleza.
Legião de braços erguidos.
É a solidariedade.
Galhos voltados para os céus.
É a oração.
Ó gentil pinheiro,
Formoso símbolo da minha Terra,
Heroica sentinela da Mantiqueira!

 

Pedro Paulo Filho

 

foto | Ilhas Cies - Vigo | junho'17

17
Ago17

fontanário da saudade

sonia'g

Alagoa_março17_04

 

Por ele correm os tempos
todos eles diferentes
mas igualmente difíceis
Já muita sede matou
e ficou no esquecimento
Já ninguém para ele olha
em sinal de agradecimento
Nem já vê nele arte viva


Fontanário da saudade
monumento desprezado
sem direito a despedida
Há em ti uma imponência
e eu sinto a tua presença
corre em ti um fio de vida
 
 
Maria Fernanda Reis Esteves
 
 

foto | Alagoa | março'17

16
Ago17

tarde no mar

sonia'g

foto Ilhas Cies - Vigo junho'17 12

 


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

 

Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia.
Desenha mãos sangrentas de assassino!

 

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

 

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

 

Florbela Espanca

 

foto | Ilhas Cies - Vigo | junho'17 
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009

 

16
Ago17

tempo

sonia'g

 

foto  S. Torcato - Guimarães  fevereiro'17 20

 

Tempo de pouca poesia,
Tempo de angústias,
De sonhos desfeitos,
De silêncios introspectivos,
De conhecimentos mortos,
De necessidades arrasantes,
De dores variadas,
De caminhos inexistentes,
De necessidades corrompidas,
De ocos no espírito,
De saudades doentias,
De vidas sem amor.

 

Aroldo Ferreira Leão

 

foto | S. Torcato - Guimarães | fevereiro'17

14
Ago17

a beleza nada aprende

sonia'g

lagoa_óbidos_abril17_04

 

 

Canto

 

A beleza não aprende a ser bela
e vive de ignorar
que o tempo a espreita sem a ver.

 

Antigamente nossos pais nos levavam para ver no campo
a madureza da fruta.
E no seixo que jogávamos no meio do rio,
cristal de impiedade, se espelhava a vida.

 

A beleza nada aprende
e ser é o seu segredo
- se você acender a lâmpada da sala,
até a varanda ficará clareada.

 

A beleza não aprende a morrer.

 

Não nos comunicamos com os corpos,
nossa parada é jogada com as almas.

 

As cortinas esvoaçam, nutrindo-se de noroeste
e as formigas preferem jantar os mortos.

 

A beleza quer sempre ficar acordada.

 

Sempre evitamos o conforto dos abismos.
Por isso são brancas as mortalhas
com que nos cobrimos na hora de dormir.

 

A beleza não concorda em morrer
e morre
como os antigos deuses, Ágata, que exaltaram a vida,
como os modernos deuses que insistem em apregoar a conveniência da morte.

 

Lêdo Ivo

 

 

foto | Lagoa de Óbidos | abril'17

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