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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

03
Fev17

todos os dias

sonia'g

 

IMG_1879.JPG

  

Todos os dias
nascem pequeninas nuvens,
róseas umas,
aniladas outras,
nacaradas espumas...

 

Todos os dias
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, de veludo...

 

Todos os dias
nascem violetas,
as eleitas
dos pobres corações...

 

Todos os dias
nascem risos, canções...

 

Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...

 

Todos os dias
nascem novos dias,
nascem novas manhãs...

 

Saúl Dias

 

foto | Baiona | Maio'16

02
Fev17

delicadezas

sonia'g

2881.JPG

 

Delicadeza nas palavras gera confiança. Delicadeza no pensamento gera profundidade. Delicadeza no doar-se gera amor.


Lao-Tsé

 

foto | México | agosto'11

02
Fev17

olhando o mar

sonia'g

3739.JPG

 

  

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

 

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

 

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há ou não há o mesmo resta.

 

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

 

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

 

Fernando Pessoa

 

foto | México | agosto'11

01
Fev17

um poema diferente

sonia'g

 

0273.JPG

 

O povo das Ilhas quer um poema diferente
Para o povo das Ilhas:
Um poema sem gemidos de homens desterrados
Na quietação da sua existência;
Um poema sem crianças que se alimentem
Do leite negro das horas abortadas
Um poema sem mães olhando
O quadro dos seus filhos sem mãe...
O povo das Ilhas quer um poema diferente
Para o povo das Ilhas:
Um poema sem braços à espera de trabalho
Nem bocas à espera de pão
Um poema sem barcos lastrados de gente
A caminho do Sul
Um poema sem palavras estranguladas
Nas grades do silêncio...
O povo das Ilhas quer um poema diferente
para o povo das Ilhas:
Um poema com seiva nascendo no coração da ORIGEM
Um poema com batuque e tchabéta e badias de Santa Catarina
Um poema com saracoteio d'ancas e gargalhadas de marfim!
O povo das Ilhas quer um poema diferente
Para o povo das Ilhas:
Um poema sem homens que percam a graça do mar
E a fantasia dos pontos cardeais!

Onésimo Silveira

 

foto | Ilha da Boavista | agosto'10

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