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andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!

andar por fora

Há pequenos instantes na vida que preenchem o momento. É preciso recomeçar a viagem. Sempre!
13 de Outubro, 2016

a vida leva-a o vento

sonia goncalves

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A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;


a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

 

A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares ,


uma após outra lançou,
a vida – pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

 

João de Deus

 

♥ FOTO | Vieira do Minho | outubro'16 ♥

12 de Outubro, 2016

sobre o que colhemos

sonia goncalves

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Tenho
sempre o cuidado
de separar
o que me faz bem,
do que me faz mal.
E se por ventura
colho, algo ruim
despercebida...
Logo encontro um
meio dele me desfazer.
Aprendi essa colheita
ao longo da vida.
Não se pode empolgar
com belos frutos.
Muitas vezes
eles já têm larvas.
Não se deve beber
de águas aparentemente
cristalinas...
Elas podem
estar contaminadas.
O que quero com isso dizer.
Que nem sempre o belo
é o que mostra ser.
A aparência muitas
vezes nos enganam.
E em nossas colheitas,
precisamos primeiro
entendê-las
de qual sonho,
foi que elas brotaram.
Nem sempre o que surgem
em nossos caminhos,
são nossos sonhos.
E sim...
Sonhos perdidos.
Abandonados
de outros,
que não souberam esperar
a época correta da colheita.
Mas nem sempre indica,
que serão destinados a nós!
Colham apenas o que plantaram...
Ou o que foi plantado a dois!

 

Dayse Sene

 

♥ FOTOS | Ponte da Barca - agosto'16 ♥

11 de Outubro, 2016

no silêncio da terra

sonia goncalves

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No silêncio da terra. Onde ser é estar.
A sombra se inclina.
Habito dentro da grande pedra de água e sol. 

 

Respiro sem o saber, respiro a terra.
Um intervalo de suavidade ardente e longa.
Sem adormecer no sono verde.
Afundo-me, sereno,
flor ou folha sobre folha abrindo-se,
respirando-me, flectindo-me
no intervalo aberto.

 

Não sei se principio.
Um rosto se desfaz,um sabor ao fundo
da água ou da terra,
o fogo único consumindo em ar.

 

Eis o lugar em que o centro se abre
ou a lisa permanência clara,
abandono igual ao puro ombro
em que nada se diz

e no silêncio se une a boca ao espaço.

 

Pedra harmoniosa
do abrigo simples,
lúcido,unido,silencioso umbigo
do ar.

 


o teu corpo
renasce
à flor da terra.
Tudo principia.

 

António Ramos Rosa

 

♥ FOTO | Mata do Camarido - Caminha | outubro'16 ♥

10 de Outubro, 2016

diz a lenda...

sonia goncalves

...da Ponte da Misarela que ela foi construída pelo diabo.

 

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Onde Vieira do Minho se une com Montalegre ergue-se a monumental ponte do diabo, cheia de beleza e lendas. A Ponte da Misarela situa-se sobre o rio Rabagão, em pleno Gerês, perto da Barragem da Venda Nova. Uma ponte medieval perfeitamente enquadrada na paisagem envolvente de densa vegetação.

 

 

♥ FOTOS | Ponte Misarela | outubro'16 ♥

10 de Outubro, 2016

barcos de papel

sonia goncalves

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Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

 

Fazia de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

 

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,

 

perfeitamente, exatamente iguais...
— Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

 

Guilherme de Almeida, In Acaso (1938)

 

 ♥ FOTO | Lagos | agosto'16 ♥