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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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tarde no mar

foto Ilhas Cies - Vigo junho'17 12

 


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

 

Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia.
Desenha mãos sangrentas de assassino!

 

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...

 

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

 

Florbela Espanca

 

foto | Ilhas Cies - Vigo | junho'17 
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009