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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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o meu olhar azul como o céu

foto  Cabo Finisterra  junho'17 14

 

 

O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…).

 

Alberto Caeiro

foto | Cabo Finisterra | junho'17
texto | in "Pessoa e Pessoas de Pessoa" - EXINOV Editora | 2010