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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

no silêncio da terra

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No silêncio da terra. Onde ser é estar.
A sombra se inclina.
Habito dentro da grande pedra de água e sol. 

 

Respiro sem o saber, respiro a terra.
Um intervalo de suavidade ardente e longa.
Sem adormecer no sono verde.
Afundo-me, sereno,
flor ou folha sobre folha abrindo-se,
respirando-me, flectindo-me
no intervalo aberto.

 

Não sei se principio.
Um rosto se desfaz,um sabor ao fundo
da água ou da terra,
o fogo único consumindo em ar.

 

Eis o lugar em que o centro se abre
ou a lisa permanência clara,
abandono igual ao puro ombro
em que nada se diz

e no silêncio se une a boca ao espaço.

 

Pedra harmoniosa
do abrigo simples,
lúcido,unido,silencioso umbigo
do ar.

 


o teu corpo
renasce
à flor da terra.
Tudo principia.

 

António Ramos Rosa

 

♥ FOTO | Mata do Camarido - Caminha | outubro'16 ♥

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