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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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Mistério

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Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, 

Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

 

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende
Murmúrios por caminhos desolados.

 

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas...

 

Talvez um dia entenda o teu mistério...
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

 


Florbela Espanca

 

 

 

 

 

 

♥ FOTO | Caldas do Moledo | agosto'15 ♥