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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

foi em Creta

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Foi em Creta   No azul fêmea do Egeu
as naves embalavas ó sopro de Anaíta!
Tua pele esticada era o tambor da noite
cada homem era o dom de ouvir a tua cítara

 

Comovidas pulseiras tangias nos teus braços
piedosas avelâs escorriam dos teua cílios
aravam tua terra mamíferos afagos
cada homem era um príncipe no teu campo de lírios

 

Teu levantar de saias ó resplendor de púbis!
o joelho agressivo das espadas flectia
e na face dos homens deixavas e penugem
das nuvens aniladas que nas ancas movias

 

Eras mansa eras dança e génio de balança
que as estações pesava Fazias sol chovias
cada homem enchia com frutos o teu crânio
e na alma caíam as roupas que despias

 

Eras mãe eras virgem eras cabra na cama
o vento que as mulheres menstruadas faziam
eras tanta eras santa e a catedral de açúcar
que as pernas das amadas naturalmente abriam

 

Foi em Creta que as têmporas da Europa
premeditou no húmus do ventre dançante
Cada homem era a cauda torrencial do filho
bebida pela boca dourada do amante.

 

Natália Corrreia

 

foto | knossos - Creta | agosto'17
texto | in "Antologia Poética - Natália Corrreia | D. Quixote | 2013

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