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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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desejos vãos

foto Cascata de Ézaro junho'17 11

 

 

Eu queria ser o mar de altivo porte
Que ri e canta, a vestidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

 

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a ávore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

 

Mas o Mar também chora de tristeza...
As ávores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

 

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras...essas...pisa-as toda gente!...

 

Florbela Espanca

foto | Cascata de Ézaro | junho'17 
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009