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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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castelã da tristeza

Guimarães fevereiro'17 07

 

Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!

 

Castelã da Tristeza, vês?... A quem?!...
- E o meu olhar é interrogador -
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...
Chora o silêncio...nada...ninguém vem...

 

Castelã da Tristeza, por que choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas,
À sombra rendilhada dos vitrais?...

 

À noite, debruçada p'las ameias,
Por que rezas baixinho? Por que anseias?...
Que sonho afagam tuas mãos reais?...

 

Florbela Espanca

 

foto | Guimarães | fevereiro'17

texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009

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