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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

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barcos de papel

IMG_6930.JPG

   

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

 

Fazia de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

 

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,

 

perfeitamente, exatamente iguais...
— Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

 

Guilherme de Almeida, In Acaso (1938)

 

 ♥ FOTO | Lagos | agosto'16 ♥