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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

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a minha dor

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A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

 

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal ...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias ...

 

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

 

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ...

 

Florbela Espanca

 

foto | Claustros Convento da Graça, Lisboa | dezembro'17
texto | in "Florbela Espanca - Sonetos" - Bertrand Editora | 2009