Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

o quintal onde a gente brincou

DSC03454

 

Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo.


Manoel de Barros

 

foto | Alagoa | março'17

canção da tarde no campo

DSC03484

 

Caminho do campo verde,
estrada depois de estrada.
Cercas de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

 

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

 

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

 

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a flor é minha.

 

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua:
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

 

Eu ando sozinha

por dentro dos bosques.
Mas a fonte é minha.

 

De tanto olhar para longe,

não vejo o que passa perto.
subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.

 

Eu ando sozinha,
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

 

Cecília Meireles

 

foto | Alagoa | abril'17

natureza morta

 

DSC03774

 

Os trilhos velhos estão sendo trocados
por trilhos novos.

 

E os bondes enfileirados
andam devagar.
Os passageiros estão inquietos.
Alguns não se conformam
e descem apressados, praguejando.
Outros procuram distração
nas entrelinhas dos jornais.

 

Meus olhos grudaram nos gestos fortes
dos homens feios,
e eu, intimamente, justifico,
achei natural o atraso dos bondes
e a troca dos trilhos velhos...

 

Lobivar Matos

 

foto | Praia da Barra - Aveiro | abril'17

as portas que abril abriu

DSC02953

 

 

...
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse. 

...

 

José Carlos Ary dos Santos

 

 

foto | Piódão | março'17

barco moliceiro

DSC03649

DSC03737

DSC03647

 

DSC03764

 

 


O barco moliceiro foi um instrumento de trabalho na recolha de moliço, sendo que também designava o homem que apanhava o moliço e conduzia o próprio barco vivendo muitas vezes no mesmo.
Nenhum dos barcos da larga família etnográfica e longa ascendência tem a graça e o valor decorativo do moliceiro da Ria de Aveiro´.
Os barcos moliceiros são autênticas raridades que embelezam os canais da ria com o seu colorido garboso, proas e popas erguidas em poli cromo festival de pinturas ingénuas, deslizando com elegância sobre as águas enegrecidas e lodacentas.
Além destes, encontramos um moliceiro que permite sulcar as águas lagunares com recurso á sua imponente vela e com os mais diversos temas tradicionais tal como as cercaduras com motivos florais e marítimos.
Este construído de madeira de pinheiro bravo e manso com cerca de 14,70mt de comprimento e um mastro de 10,90mt com uma vela maior com uma área de 80m2, elegante e harmonioso tem contribuído para a preservação da identidade regional mantendo a tradição da construção naval lagunar.
Andar de moliceiro é uma excelente opção para a descoberta da ´Cidade da Água´.
Passeios turísticos de Moliceiro - Os passeios em moliceiros, algo semelhantes aos passeios de gôndola em Veneza, são parte da tradição local em Aveiro.
Junto ao Rossio estão ancorados diversos barcos moliceiros, onde é possível fazer passeios de algumas horas pela Ria, apreciando a cidade, as salinas e os diversos canais.

 

in Rota da Bairrada

 

fotos | Aveiro | abril'17

Pág. 1/5