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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

a velha casa da avó Otilia

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Casa Velha...
Ali infância
Brincadeiras de criança
Um tempo em que ficou para trás
Mas que está registrado
No quadro
Na parede da memória.
Sol, chuva
Amanheceres
Entardeceres
A estrada
O quintal
A cerca
O córrego
Paisagens
Viagens
Fragmentos de tempo
Tecidos de momentos
De aquis-e-agoras.
Tempo em que passou por mim
Mas que ao mesmo tempo ficou
Parte de mim mesmo
Composição de todo o meu ser
De tudo aquilo que sou
Estações transcorridas
Páginas do livro da minha vida
Capítulos da minha história !


Raul Nunes

 

foto | Alagoa | março'17

rua do Canelho

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 A Alagoa é uma pequena aldeia do concelho de Vila Flor. São cada vez menos os seus habitantes residentes. Há muito que já não escola. Não há café ou qualquer tipo de comércio. O silêncio e a solidão reinam em todos os recantos. As casas típicas jazem em ruínas. Desertas e abandonadas as suas histórias são apenas memórias. Cresci com esta aldeia no coração. Foram muitos os verões e natais que lá passei. Tenho recordações maravilhosas dos momentos que lá vivi. Agora apenas faço uma breve passagem de quando em vez.

 

 

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A minha avó morava no coração da aldeia.  Uma pequena rua sem saída. Na rua do Canelho moraram durante décadas os Gonçalves. Nas pequenas casas moravam os pais, os filhos, guardava-se o burro, criava-se o porco...

 

Num canto acendia-se o lume, noutro dormia a família, geralmente numerosa, e noutro salgava-se o porco.

 

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Chegaram a morar na rua quarenta pessoas. Eram tempos difíceis, porém, fartos de grande solidariedade humana. A alegria e as brincadeiras das crianças enchiam a rua. Ao fundo da rua, ao lado da carroça, era a escola.

 

DSC03460.JPGO que hoje sobra em espaço falta em vida. Agora não passa de uma rua fantasma perdida na aldeia.

 

fotos | Alagoa | março'17

a casa típica transmontana

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«As casas antigas são construídas de pedra, sendo os interiores sombrios. As paredes e os tectos das cozinhas são normalmente escuras como breu. As lareiras estão acesas grande parte do ano para cozinhar e aquecer e, de Novembro até Março, penduram-se por cima da lareira grandes quantidades de porco salgado e enchidos para serem fumados. As casas estão tão juntas que se perde a privacidade; com o simples abrir das portas da frente mostram-se imediatamente a qualquer passante as cozinhas e as salas.Os aposentos ficam no andar de cima e em baixo os estábulos, as arrumações de produtos agrícolas ou a adega.»  

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Subia-se ao primeiro andar pelas escaleiras exteriores de granito, ligadas à rua apoiando-se no corrimão. A casa do lavrador mais abastado era rodeada pelo espaço curral. Neste espaço, que rodeava a casa situava-se o cabanal, onde se guardava a lenha retirada do sequeiro, já partida e livre da chuva, e as alfaias agrícolas.

Era ainda o curral o lugar do recreio dos animais. Tinha uma grande fachada ou porta carral, de pelo menos três metros de altura para passarem livremente os carros de lenha ou de feno. É este amplo espaço que o lavrador chama os roussios.

 

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O espaço que ficava em falso sob as escaleiras, era aproveitado para o galinheiro. Ficava um buraco na parede para as galinhas entrarem, ao qual tinham acesso por uma tábua. Daqui surgiu a expressão popular de, todos os dias ao pôr-do-sol “ir fechar o buraco das pitas”.

Toda a parte superior da casa assentava sobre grossas traves.

Do cimo das escaleiras, passava-se à varanda de madeira, rodeada por um corrimão e situada geralmente a sul ou a nascente. É o espaço característico da casa que está a desaparecer nas novas construções. Ajudava a varanda a defesa dos ventos agrestes e regelados e do calor escaldante. Nela se secava a roupa estendida numa cana, se apanhava o sol, se expunham os cacos das malvas, craveiros e manjericos, e nas canículas se podia descansar a sesta e cerar ao fresco. Por isso, era larga para caber a mesa e os bancos, e a camarada de segadores, e coberta com a continuação do telhado.

No bordo, o seu pé direito não chegava, ás vezes, a dois metros de altura, para melhor resguardo.

Os beirais muito salientes, interiormente forrados com tábuas, são apoiados em pilares de madeira, espaçados. Há os balaústres de pedra trabalhada, ou simplesmente lisos, com tabuinhas cruzadas, num reticulado horizontal e vertical, sobreposto obliquamente, formando losangos, de grande efeito decorativo.

 

textos in  Ser Transmontano

 

fotos | Alagoa | Março'17

lugar idílico

 

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Em plena serra do Açor, bem próximo de Piódão, situa-se um pequeno óasis natural denominado de Foz D'Égua.

 

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De uma beleza natural ímpar é o ponto de encontro das ribeiras de Chás e do Piódão que correm em direcção ao rio Alvoco, formando uma bonita praia fluvial de águas cristalinas.

 

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Além das pequenas casas de xisto, muito bem recuperadas, existem duas pontes de pedra e uma suspensa à "Indiana Jones", um altar e um presépio que tornam este lugar idílico.

 

 

 

fotos | Piódão | março'17

bom conselho

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Põe sempre os nomes aos bois
Nas histórias que contares.
Ou logo os burros depois
Se queixam de os retratares:

 

"Mas são as minhas orelhas!
Este azurrar é o meu!
Se estas são minhas guedelhas!
Ai este burro sou eu!

 

Não me nomeie ele embora,
Toda a Pátria vai agora
Saber-me por burro, hin-hã!
Ai que eu, hin-hã, hin-hã!"

 

- Quiseste a um burro poupar...
Logo doze hão-de zurrar.

 

Heinrich Heine

 

foto | Alagoa | março'17

palavras fundamentais

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Faz com que a tua vida seja
sino que repique
ou sulco onde floresça e frutifique
a árvore luminosa da ideia.
Alça a tua voz sobre a voz sem nome
de todos os demais e faz com que ao lado
do poeta se veja o homem.

 

Enche o teu espírito de lume;
procura as eminências do cume
e se, o esteio nodoso do teu báculo
encontrar algum obstáculo ao teu intento,
sacode a asa do atrevimento
perante o atrevimento do obstáculo.

 

Nicolás Guillén

 

foto | Piódão | março'17

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