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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

ser feliz

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Ser feliz não é ter
um céu sem tempestades,
caminhos sem acidentes,
trabalhos sem fadigas,
relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é
encontrar força no perdão,
esperança nas batalhas,
segurança no palco do medo,
amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas
comemorar o sucesso,
mas aprender lições
nos fracassos.
Ser feliz não é apenas
ter júbilo nos aplausos
mas encontrar alegria
no anonimato.
Ser feliz é reconhecer
que vale a pena viver a vida,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz não é
uma fatalidade do destino,
mas uma conquista de quem sabe viajar
para dentro do seu próprio ser.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si
e ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz, é não ter medo
dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
É beijar os filhos, curtir os pais!
É ter momentos poéticos com os amigos,
mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver
a criança livre, alegre e simples
que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar:
“Eu errei”.
É ter ousadia para dizer:
“Me perdoe!”
É ter sensibilidade para expressar:
“Eu preciso de você”.
É ter capacidade de dizer “Eu te amo”.
E, quando você errar o caminho,
recomece tudo de novo.
Pois assim você será cada vez
mais apaixonado pela vida.
E descobrirá que...
Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas
para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir
as janelas da inteligência.

 

Augusto Cury

 

foto | Xcaret - México | agosto'11

rio da minha vida

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Sinto no murmurar das águas
deste rio da minha vida,
onde navegávamos na mansidão do luar
e rejubilávamos na alegria da juventude,
as melodias da felicidade,
acariciadas pela brisa daquele tempo,
de palmeiras verdes de esperança,
onde as brumas da incerteza não existiam!

 

E agora, contemplando o caudal deste rio
ressequido por este tempo que se faz presente
sufoco o choro de lágrimas da nostalgia,
que me aperta o peito, na dor feita saudade!
E aqui estou, sentado, nas areias que margeiam
este rio cansado, pelas mágoas do seu percurso,
esperando nova brisa que me sopre forças,
para continuar a navegar neste leito seco
e chegar ao remanso da minha tranquilidade!

 

Anseio por novos rios, num tempo
que se faça fértil e de águas calmas,
navegue por entre campos floridos,
ao som melodioso dos chilreios
de aves encantadas,
de cores garridas da paixão,
ao encontro de um novo viver.

 

José Carlos Moutinho

 

foto | Rio Douro | outubro'12

espetáculo da vida

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...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.


João Cabral de Melo Neto

 

foto | México | agosto'11

exaltação

 

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Venha!
Venha uma pura alegria
Que não tenha

Nem a senha
Nem o dia!

 

Abra-se a porta da vida
Sem se perguntar quem é!
E cada qual que decida
Se quer a alma aquecida
No lume da nova fé.

 

Venha!
Venha um sol que ninguém tenha
No seu coração gelado!
Venha
Uma fogueira de lenha
De todo o tempo passado

 

Miguel Torga, in Libertação

 

foto | Castelo de Melgaço | junho'12

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