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andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

andar por fora

à descoberta da plenitude de um instante eternizando o momento que passa

daqui a pouco o ano termina

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Daqui a pouco o ano termina. Com a ida dele, chega a expectativa. O desejo de fazer diferente, a vontade de modificar o que não está legal, a ânsia de crescer e abraçar todos os planos do mundo. Finais de ano servem de balanço, de balança. A gente vai e vem, o pensamento viaja, o coração faz retrospectiva, a memória guarda o que foi bom e tenta passar a perna na parte amarga.

Clarissa Corrêa

 

foto | serra da estrela | março'16

charneca em flor

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Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

 

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

 

E nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...

 

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

 

Florbela Espanca

 

foto | Lamego | maio'09

velhas árvores

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Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

 

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

 

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

 

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 

Olavo Bilac

 

foto | Ilha da Boavista | agosto'10

a moda das palavras

 

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As palavras têm moda. Quando acaba a moda para umas começa a moda para outras. As que se vão embora voltam depois. Voltam sempre, e mudadas de cada vez. De cada vez mais viajadas. 

Depois dizem-nos adeus e ainda voltam depois de nos terem dito adeus. Enfim – toda essa “tournée” maravilhosa que nos põe a cabeça em água até ao dia em que já somos nós quem dá corda às palavras para elas estarem a dançar.

 

Almada Negreiros

 

foto | Ilha da Boavista | agosto'10

luz ao fundo do túnel

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No Escuro

 

Qualquer mão.

Qualquer sinal no escuro.

 

Qualquer simples movimento,

a proa brusca de um barco,

qualquer país, um qualquer.

 

Outro, diferente, mais perto.

 

Às vezes quase na boca.

Outras quase deserto.

 

Eugénio de Andrade

 

foto | Porches | agosto'13

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